Conto - As água do amor.


Numa linda manhã de domingo, o sol parecia sorrir para Grace. O calor era forte, mas a brisa fresca e a água fria equilibravam a sensação tórrida da praia. Grace gostava de banhar-se sozinha, apesar de haver muita gente na margem. O dia lindo, as pessoas alegres e Grace brincava arremessando água para o alto, tentando saltar ondas mergulhando. Saltitando ela comemorava a cada nova onda que chegava. Foi num destes saltos, ao pisar num buraco que sentiu uma forte dor no tornozelo, desequilibrando-se. Ao cair sentiu que as ondas a estavam arrastando para o fundo. Tentou nadar, mas a dor no tornozelo a impedia. Naquele momento Grace percebeu a gravidade da situação: Estava afogando-se. Em pânico viu sua vida inteira exposta em flashs. Todos os momentos marcantes da sua vida estavam naquele relâmpagos. Decidida a lutar pela própria vida tentou manter-se na superfície, mas as fortes correntes marítimas a puxavam para baixo. Era a luta entre a vida e a morte, apesar de lutar ela sentia suas forças diminuindo, o cansaço aumentando e o pânico a impedia de pensar. Sua visão falhava, tentou respirar e bebeu água salgada e por fim já não via mais nada. O silêncio, a escuridão, o desmaio.
Um tapa no rosto. Outro tapa. A tosse forte que lançava água da sua boca. Tossiu muito e expeliu muita água até abrir os olhos e sentir um sol forte ofuscando sua visão. Sentiu-se estranhamente atordoada. Olhou a volta e fraca tentou levantar-se, mas desistiu ao ouvir aquela voz forte dizendo:
- Calma, fica deitada mais um pouco. Voce ainda está fraca e meio tonta, calma.
Obedeceu e aos poucos deus-se conta de que estava salva. Já na sombra, após ter ingerido água, descobriu que aquele estranho a salvara do afogamento. Perguntou-lhe seu nome e apresentou-se após ter agradecido a ele. Grace e Yuri tornaram-se amigos e ele muito gentil a convidou a um barzinho ali mesmo na praia. Grace contou-lhe que nunca havia se afogado antes e que agradecia muito a Yuri por tê-la salvo. Ele sorridente disse-lhe que nunca havia salvo alguém de afogamento e que estava feliz por ter conseguido.
- Foi difícil? Perguntou Grace?
- Não, não. Difícil mesmo foi a respiração boca-a-boca. (sorrindo enquanto ela corava de vergonha).
Por fim, percebendo a brincadeira ambos sorriram bastante e perceberam o quanto é bom compartilhar momentos felizes.
Doze anos depois Yuri ainda conserva o mesmo sorriso e enche o peito de orgulho quando responde a pergunta da filha:
- Papai, verdade que o senhor salvou a vida da mamãe?

Texto de Tony Casanova - Direitos Autorais e de Copyright reservados ao autor.
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