Crônica - Zeca e o Celular.


Crônica - Zeca e o Celular.
E lá estava Zeca em pleno centro da cidade, vestindo a melhor roupinha do seu velho armário, pronto para comprar seu primeiro telefone celular. Pobre de Cristo! Mal sabia ele o que o aguardava naquela tarde. Gente do céu, o homem ficou embasbacado de tanto ver coisa linda. Tantos botõezinhos coloridos, luzes e sons estranhos. A moça caprichava na apresentação dos aparelhos ao curioso caipira.
A criatura falou de um tal Iped que de tamanha dificuldade para mexer no bicho o zé desistiu! Era coisa demais pra cabeça do coitado. Meu Deus, quem foi que inventou este troço complicado chamado de Iped hein? Zeca ainda arriscou apertar uns botões, viu aparecer uma tranqueiras bem lindas na tela, mas por fim desistiu. Era complicado demais. A moça, claro, tratou logo de mostrar outro modelo a ele. Desta vez era um telefone enorme, mal cabia na palma da mão. Zeca tentava segurar o trombolho com as duas mãos. Impossível! Como alguém podia usar aquele tijolo fininho na palma da mão?
- Duvido que alguém consiga imaginar a impaciência do Zeca. O pobre diabo estava enlouquecendo ali. A única certeza que ele tinha é que queria comprar um celular. Quase a ponto de desistir, Zeca gritou pra moça:
- Óia Dona, deixa eu ver logo tudo. Assim eu mesmo me decido o que vou levar.
- A moça despejou no balcão uma imensa variedade de celulares. Eram tantas marcas e modelos que o homem nem sabia para onde olhar.
- Danou-se! Arre égua moça!
- Será que a sinhora pode me ajudar aqui?
- Tá bom seu Zeca. Olha só, este aqui é um Ipod. Moderno e muito funcional. Tem várias funções.
- Este troço ai fala moça?
Claro que sim seu Zeca! É muito bonito e o preço tá ótimo!
E aquele ali? Perguntou ele pra moça.
Aquele é um Smartphone. Aparelho bom, muito prático e também tem acesso a internet e redes sociais.
Pois é um destes que quero. Embrulha que vou levar este tal de Smatfone.
Levou o tal aparelho para casa e danou-se a mexer no troço. Acertava umas coisas, errava outras, errava mais que acertava. A raiva do homem quase o fazia jogar o telefone ao chão. Dava vontade de arremessar o bicho na parede. Já começou na tentaiva de ligar. E tome demora pra acender a luz, tocar um diacho de uma música horrível, que não terminava nunca. Depois ficou rodando uma bolinha, piscando uma luzes e o Zeca com cara de besta apreciando aquilo tudo. A fúria tomou conta do caipira. Irado, Zeca arremessou o tal Smatfone contra a parede, xingou de tudo que era palavrão que conhecia e acabou decidindo-se por comprar um lindo tijolão na mão do primo Tião.
No outro dia lá estava Zeca falando alegremente no seu Tijolão. Logo um amigo aproximou-se e perguntou:
Uai compadre Zeca, e onde está o tar Smatfone?
Mandei aquela disgraça pra casa da pexte compadre! E nem me fale mais naquele diacho. E dá licença que tô numa ligação.
Texto de Tony Casanova – Direitos Autorais Reservados ao autor – Proibida a cópia, colagem, reprodução ou divulgação de qualquer espécie ou em qualquer meio sem autorização prévia do autor sob pena de infração das Leis Brasileiras de Proteção aos Direitos Autorais.
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