Força, fé e coragem.


O ônibus seguia vencendo o asfalto da rodovia que parecia não ter fim, meus olhos porém, estavam presos à paisagem que via pela janela. Observava aqueles campos desnudos, um misto de arbustos verdes e marrons, muitos galhos secos. Aqui e ali via uma carcaça de boi estirada no chão de alguma propriedade. Vi algumas pessoas andando apressadas com baldes à cabeça em suposta busca de água. A visão era triste, as pessoas no entanto eram alegres. Brincavam e sorriam. Conversavam como se aquele inferno não existisse. Ali para eles era o céu, apesar de todos os problemas com a falta d'água, de emprego, de dinheiro e comida.
Logo a frente vi um rebanho de cabritos sendo tocado por um garotinho. Lá se iam por uma estradinha de piçarras. Pelo visto seguiam em busca de pasto verde e presumi que andariam muito devido a paisagem que eu conseguia ver lá na frente. Á margem da rodovia algumas mulheres a até crianças ofereciam produtos da região. Eram raízes como mandioca, batata-doce e também grãos como milho e feijão. Jacas, mangas e cocos também eram oferecidos ali.
Vendo tudo aquilo, pensei em como eu, nascido em uma capital, achava a vida tão difícil enquanto aquelas pessoas que ainda viviam à luz de velhos candeeiros, água de açude e comprando fiado em quitandas eram tão felizes. Quanto paradoxo! Eles vivem distantes dos Shoppings Centers, dos grandes centros comerciais, das luzes, do barulho e simplesmente vivem. Alegres, saltitantes e felizes.
Segui viagem matutando e conclui que a felicidade não está nos bens, no status, no glamour, mas dentro de nós. Na aceitação das nossas próprias condições e na coragem que temos de enfrentar as adversidades. Não senti pena daquele povo. Também não desejei a eles a vida que eu levo na capital, pelo contrário; desejei a vida deles para mim. A sua coragem, sua força e determinação. Sinto uma imensa verdade na vida do homem do campo quando chega em sua casinha humilde e reza agradecendo a Deus por suas conquistas. Adormeci olhando a paisagem e o povo, sonhei-me vestido como aquela gente, enxada ás costas e capim preso nos dentes, sorrindo o melhor sorriso caipira que consegui.

Texto do Escritor Brasileiro Tony Casanova – Direitos Autorais Reservados ao autor. Proibida a cópia, colagem, reprodução ou divulgação de qualquer espécie ou em qualquer meio sem autorização prévia do autor, sob pena de infração ás Leis Brasileiras de Proteção aos Direitos Autorais.
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