Conto - Meu amor por telefone.


Conto - Tony Casanova - Meu amor por telefone.
Eu já me acostumara a companhia do celular, um Smartphone de última geração com acesso a internet e todas as funcionalidades destes celulares modernos. De tanto apego pelo aparelho eu já adormecia com ele embaixo do travesseiro. Até então nada demais havia acontecido. Conheci muitos rapazes, mas nenhum havia me interessado. Um dia tudo mudou. Recebi uma ligação e mesmo sem identificar o número resolvi atender. Uma voz grave e bonita atendeu do outro lado e perguntou por alguém que eu não conhecia. Ficou claro que havia sido um engano e o desconhecido ligara para o número errado. Seu timbre era marcante e forte, ficara marcado em seus pensamentos. Após ter-se desculpado a voz desligou.
Já era por volta das oito horas quando o telefone voltou a tocar. Mais uma vez eu não identifiquei a chamada, mas prontamente atendi. Fiquei um tanto nervosa ao perceber que era a mesma voz do dia anterior. Estava nervosa nem sei porque, eu sabia que não havia razão para estar assim, afinal era apenas uma voz sem rosto, um anônimo que não lhe dissera um ai, apenas perguntou o que queria e pronto. Desligou. Mas o que será que queria ele agora? Atendi e deliciei-me com aquele timbre maravilhoso me dando bom dia. Respondi e começamos a conversar como se já fôssemos amigos de anos. Nem sei como a conversa fluiu, mas estava ótimo e me pareceu que para ele também. Enfim apresentei-me a ele que fez o mesmo. Puxa, aquela voz marcante tinha um nome lindo. Brinquei dizendo que já conhecia a voz, o nome e agora só faltava o rosto para tudo estar completo. Ele riu e disse que iria propor um encontro, mas julgou que eu ficaria zangada.
Marcamos para a quarta-feira, estávamos numa segunda e daria tempo de me preparar no salão para ajeitar as unhas, cabelos e o que fosse preciso. O local escolhido foi um pequeno restaurante no centro da cidade. Apesar de pequeno o lugar era aconchegante. Tinha mesas de madeira marrom envernizadas, tolhas quadriculadas bem no estilo Italiano. Um televisor ligado transmitia a programação local e a casa estava cheia. Haviam cinco garçons e um deles logo veio á minha mesa e perguntou-me o que desejava. Disse-lhe que me trouxesse um cafezinho por ora. Bebericava o líquido enquanto imaginava se ele realmente iria aparecer. É um costume Meu adiantar-Me aos encontros e chegar muito antes do combinado. Sabia que estava adiantada.
No horário combinado, após ter observado cada ser vivo que entrava no ambiente, percebi um jovem alto, esbelto e muito bonito. Não me pareceu ser ele, mas bem podia ser. O homem pegou seu telefone e ligou para alguém. Neste momento eu tive certeza de que não era ele, afinal um homem lindo daqueles devia mais era estar ligando pra sua esposa, noiva, namorada, sei lá quem. A certeza foi quebrada quando ouvi meu telefone chamar. Atendi rapidamente e ouvi aquela voz doce e máscula. Ele disse-me que estava no restaurante e falou suas vestes para que fosse reconhecido. Não me contive de felicidade ao perceber que o tal homem lindo era o mesmo que falava comigo. Era ele!
Sentou-se perto de mim e alegremente começamos a conversar enquanto aguardávamos os pedidos para o jantar. Jantamos e ele gentilmente foi deixar-me em casa onde nos despedimos com um beijo e a promessa de que iríamos nos ver mais vezes. Dali em diante todos os dias, várias vezes ao dia ele me ligava ou eu ligava para ele. Nos completávamos entre carinhos e brincadeiras, assuntos que rendiam sem que soubéssemos como. Não foi difícil apaixonar-me. Saíamos todas as noites, sempre após o trabalho, mas nunca deixávamos de estar em contato telefônico. Dai me veio a certeza do meu amor por telefone.

Texto de Tony Casanova - Direitos Autorais Reservados ao autor. Proibida a cópia, colagem, reprodução ou divulgação de qualquer espécie e em qualquer meio sem autorização expressa do autor sob pena de infração das Leis Brasileiras de Proteção aos Direitos Autorais.
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