O fingidor I Poema de Tony Casanova.


Poema+O+fingidor
Eis-me aqui, caro poeta, a divagar gostosamente em teus encantadores versos. Ponho-me em delírio, sentindo-me incapaz de tamanha proeza, não sei pela ousadia dos versos, ou meramente pela riqueza, mas o fato é que chego a viajar em cada palavra escrita, o pensamento, a poesia propriamente dita. Sim Mestre, é o poeta um mero fingidor, mas permita-me dizer então, não pela ação de mentir, mas de sentir, de eclodir, de viajar em seus escritos. Finge o poeta, mas não mente, como disse, ele deveras sente e sente muito, assim, de maneira discreta ele vive suas palavras antes que cheguem ao papel. Para o poeta, o céu e o papel se confundem e tornam-se parte do mesmo fingimento. Um fingir puro, certamente o fingir mais seguro da alma de quem escreve.
Li em teus versos, que finge o poeta a dor que deveras sente e retruco e digo; não fosse poeta não sentiria e não sentiria não fosse gente. A dor do poeta, fonte que o inspira, também lhe dói como em toda criatura, desde a mais cruel à mais santa, da mais suja à mais pura, mas a verdade mais nua e crua é que certamente todos sentem. Sim meu digníssimo, fingidores portanto, somos todos nós, que sentimos a nossa dor, mas alheios a poesia e adversos, não fingimos em versos ricos e sem defeito, mas cada um finge na voz, a dor que lhe apoquenta o peito.
És certamente um artífice genial em tão maravilhosa composição, digna de brados e elogios sem igual. Fernando Pessoa, um poeta sem par, a quem me atrevo com desmedida ousadia a comparar, como verdadeira prova de admiração e fraterno amor, és de todos o mais poeta, o mais louvável fingidor.
Texto do Escritor Brasileiro Tony Casanova. Direitos Autorais Reservados ao autor. Proibida a cópia, colagem, divulgação de qualquer espécie ou reprodução em qualquer meio do todo ou em parte, sem autorização expressa do autor sob pena de infração ás Leis Brasileiras de Proteção aos Direitos Autorais.
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