Aprendendo a ouvir "Não". [Tony Casanova]


Não! Eis ai uma palavra para a qual nunca estamos preparados para ouvir. Condicionados desde nossa infância, época em que a disciplina aplicada inclui esta importante palavra, descobrimos que ela contraria nossos objetivos. Talvez você nunca tenha parado para pensar sobre o assunto, mas é exatamente na fase da infância que aprendemos a criar metas e tentar alcançar objetivos. Mesmo sendo considerados por nós adultos como bobagens, os objetivos são importantes para a criança e ela luta como pode para alcançá-los. São os infantes lidando com a construção dos sonhos e é nesta fase que torna-se possível perceber o nível de ambição de cada um. Os objetivos e as metas fazem parte da construção do caráter do ser humano e tudo começa logo cedo, na infância. Consegue entender agora porque aquele histerismo infantil, aquele choro incontido, as crises que ocorrem com os pequenos?
Saindo da infância, chegamos à adolescência. Fase do endurecimento da formação do caráter, da rebeldia, dos sonhos misturados e em grandes proporções. Os adolescentes vivem a fase mais dinâmica da vida humana, onde toda energia que fora acumulado precisa ser descarregada. São os adolescentes que sentem com maior efeito a dor da palavra “Não”. Fase em que existe uma quantidade maior de metas e objetivos, ouvir um não significa contrariar ao extremo a sua vontade e dada a rebeldia da fase, a tendência é que se sintam encorajados a quebrar a regra e desobedecer. A cabeça cheia de sonhos e muitas metas a cumprir, todo adolescente envolve-se de tal maneira em seu mundo que as vezes tende a isolar-se ou a buscar grupos, tribos em que seus ideais possam ser compartilhados. É nesta fase onde os pais descobrem que dizer “Não” pode ser tão perigoso quanto o “Sim”.
Chegamos a fase adulta onde o caráter já está sólido, os sonhos são mais consistentes e as metas mais ponderadas. Um adulto, a depender de como viveu sua infância e adolescência, chega a esta fase condicionado ás palavras mágicas da vida, o “Sim ou Não”, onde o sim para eles pode representar o êxito, o sucesso enquanto o não representa o fracasso, a derrota. Tudo se resume ás condições em que cada um teve e como absorveu a disciplina aplicada. Falhas disciplinares na infância e adolescência podem resultar em fraqueza de caráter do adulto, quando o indivíduo se mostra frágil, muito sensível e pouco adaptado aos fracassos e derrotas. Isto pode ocorrer porque não lhe ensinaram a lutar pelos objetivos, simplesmente lhe entregaram um troféu sem que precisasse competir. Nunca lutou, portanto nunca soube valoriza a conquista e para ele as competições devem sempre terminar com sua vitória. Quando conhecem de perto a derrota eles despedaçam e sentem algo inusitado e perigoso que é a decepção. Lidar com isso não é fácil, mas é possível buscar ajuda e descobrir que é importante aprender a ouvir “Não”.
Como lidar com esta questão sem dores? Vamos analisar a vida por um ângulo interessante. Lembremos de um campeonato de futebol e hipoteticamente, façamos uma comparação deste campeonato com a vida, onde nós somos jogadores de uma equipe e teremos que jogar contra vários adversários. Na regra do futebol, assim como na vida, existe o Fair Play que nos ensina que devemos respeitar todos os adversários e também aceitar a derrota, não com alegria, claro, mas com a certeza de que no próximo jogo estaremos ali, firmes e prontos a disputar. Evidentemente ninguém entra em uma disputa para perder. Todos querem ganhar e para isso lutarão com todos os recursos possíveis, mas logicamente respeitando a regra ou seremos punidos pelo árbitro da partida. Perder um jogo não é perder um campeonato e perder um campeonato não significa perder todos eles. Haverão mais e mais, então devemos parar de chorar por um e começar a nos preparar para outros que virão. Assim é a vida.
Por muito ouvir “Não” e continuar insistindo nos objetivos, vários nomes célebres, vem através dos séculos mostrando que a derrota é apenas um meio de provarmos se somos dignos ou não da vitória. Se desistirmos, perdemos tudo. Provamos a nossa covardia, despreparo para a luta e fraqueza de caráter. Mas se existem metas que não foram alcançadas, não importa o motivo, lute, abrace sua causa e conquiste seus objetivos, assim quando a vida perguntar se você deseja continuar lutando, responda-lhe sonoramente: “Sim”.

Texto do Escritor Brasileiro Tony Casanova - Direitos Autorais Reservados ao autor. Proibida a cópia, colagem, reprodução de qualquer espécie ou divulgação em qualquer meio, do todo ou parte dele, sem autorização expressa do autor sob pena de infração ás Leis Brasileiras de Proteção aos Direitos Autorais.
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