Faz amor comigo. [Tony Casanova]


Quando conheci Júlia eu tinha 25 anos e encontrei-a em uma festa de uma amiga que fazia 15 anos. Apesar do ambiente completamente alegre, notei que uma moça estava quietinha no portão de entrada da casa. Aproximei-me e percebi que havia tristeza em seus olhos, parecia haver acabado de chorar. Apresentei-me, ela disse um “Oi” e então eu a perguntei o que houve que ela não estava se divertindo como os outros. Ela disse-me que queria ir pra casa, que não tinha motivo algum para continuar ali. Convidei-a para ir até o outro lado da rua, distante do som da festa e das pessoas que transitavam ali. Sentamos na calçada da casa em frente e eu perguntei se ela não queria falar sobre o assunto. Notei que estava novamente chorando e ternamente a abracei. Alguns minutos depois ela começou a contar-me que o namorado havia terminado a relação com ela e que já tinha outra garota há três meses.
Deixei que desabafasse e permaneci em silêncio e quando ela terminou eu lhe disse: - Posso dar minha opinião? Tudo bem se não concordar.
Pode sim. Talvez eu melhore.
Perguntei-lhe a idade. 22 anos, ela respondeu.
Conversamos muito ali. Tanto que a madrugada chegou ao fim e nem percebemos. Ela já conseguia sorrir bastante. Mostrava sua beleza sem traços aparentes de tristeza. Ela pediu meu número de telefone e dei-lhe pegando o dela em seguida. Nos tornamos excelentes amigos a partir dali. Sempre conversávamos e as vezes íamos à praia juntos. Nunca nos envolvemos intimamente, nem um beijo sequer. Era realmente uma linda amizade apoiada inclusive pela família dela. Eu fazia visitas periódicas à sua residência e lá conversava com seus pais, irmão e outros amigos presentes. Júlia me ligava sempre que tinha um problema, desabafava, mas eram problemas diferentes daqueles que nos levou a nos tornar amigos. Um ano se passou e continuávamos a ser bons amigos.
Um dia de sexta-feira, quase encerrando meu expediente, Júlia ligou chorando e pediu-me que a encontrasse no outro dia. Combinamos e a noite eu segui ao encontro dela. Estava com a mesma fisionomia de quando a conheci. Triste, cabisbaixa, olhos que denunciavam que havia chorado. De pronto a abracei. Ficamos ali abraçadinhos e quietos. Não sei o que deu em nós dois, mas descobrimos ali mesmo que aquela amizade havia se transformado. Eu elevei seu queixo, ela olhou nos meus olhos, percebi seus lábios entreabrindo. Devagar ela olhou minha boca e fechou os olhos. Trocamos um beijo único. Senti suas mãos laçarem minha cintura e me apertar contra ela. Retribui o abraço e ficamos ali coladinhos, em um beijo interminável.
Mesmo que quisesse eu não teria como esconder minha excitação. Meu corpo reagiu na hora! Ela percebeu e abraçou-me mais forte. Senti suas pernas se abrindo e meu corpo se encaixando no seu. Perdemos a noção do local e eu a toquei intimamente sentindo sua reação positiva. Senti que Júlia ofegava e apertava-se contra mim. Nossos corpos pareciam querer fundir-se, respirávamos com dificuldade e estávamos inquietos. Eu a olhava nos olhos e só tinha vontade de beijá-la mais. Ela aprontava para ser beijada fechando os olhos. Resolvi então me conter. Estávamos em local público e quase nas vias de fato. Relaxei a pressão do abraço e fiquei a acariciá-la nos cabelos. De repente ela olhou-me com um jeitinho mimoso e disse:
Faz amor comigo?
Sim meu amor, faço.


Texto do Escritor Brasileiro Tony Casanova. Direitos Reservados ao autor. Proibida a cópia, colagem, reprodução de qualquer espécie ou divulgação em qualquer meio, do todo ou parte dele sem autorização expressa do autor sob pena de infração ás Leis Brasileiras de Proteção aos Direitos Autorais.
Copy Right 2014 by Brazilian Writer Tony Casanova.

Esta obra é uma obra de ficção, portanto qualquer semelhanças com nomes, locais ou fatos terá sido mera coincidência.

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