O fim do desejo no casamento. [Tony Casanova]


Desde minha fase pré-adolescente que acostumei-me a viver em sabatinas. Quando não ocorriam com as professoras na escola, era nas rodas de amigos e vizinhos. As vezes as pessoas me faziam perguntas e dali surgia uma espécie de palestra sobre aquele tema. Certa vez recebi aqui em casa várias senhoras que vieram visitar minha esposa na época. Todas casadas, logo iniciaram aquela mesa de bate-papo bem animado. Cada uma falava algo que era rebatido pela outra e logo fomentava-se uma discussão. Eu só assistia, afinal era conversa entre elas, eu na condição de único homem ali, me reservava o direito de permanecer em silêncio, apenas ouvindo e rindo do que se dizia. Foi ai que minha esposa fez questão de rasgar meu currículo e falou sobre minhas experiências e de como sabia lidar bem com algumas questões. Bastou para que elas me pedissem que sentasse mais perto e participasse.
Estavam ali oito mulheres, todas acima dos quarenta exceto minha esposa. Eram pessoas alegres, espontâneas, riso fácil. Começaram a falar e o assunto chegou no tema conjugal, mais precisamente no abandono sexual sofrido por algumas mulheres casadas. Cada uma disse uma coisa e eu ainda calado. Senti que falavam atabalhoadamente, meio sem senso, algo tipo; está me traindo, vou me vingar, tem mulher no meio. De repente elas pararam, olharam para mim e uma disse: - Seu Tony, nós queremos saber sua opinião sobre isso, o Sr não vai dizer nada?
De agora em diante o que você irá ler aqui foi aquilo que disse aquelas senhoras, logicamente falando de sexo como sempre faço, sem conotação erótica ou pornográfica, abordando de forma simples e aplicando as palavras de forma cautelosa para evitar mal entendidos.
No casamento há um fenômeno natural que ocorre em média após os três primeiros anos de relacionamento; a diminuição da libido. Isto obviamente não é uma regra, mas um fato que acontece com a maioria dos casais. O esfriamento do desejo sexual pela parceira ou mesmo pelo parceiro é proveniente de vários fatores, mas como cada caso é um caso, vale observar que é preciso ter calma em dar diagnósticos precipitados. A traição pode ser sim, uma destas causas, mas ela não está em primeiro lugar nestas situações. Tudo varia de acordo com a idade dos cônjuges, do tempo de relacionamento anterior ao casamento, da forma como se relacionam pessoalmente, da quantidade de problemas que envolvem o casal e que possa estressar aquele mais responsável diretamente por resolver a situação. Percebeu que não é tão simples? A intensidade da entrega nos primeiros momentos é um fator crucial para a queda da libido, por isso é importante para ambos serem comedidos, não irem com tanta sede ao pote. O que forem fazer, façam devagar, sem pressa, afinal vocês tem uma vida inteira pela frente juntos. Reservem sempre surpresas para o dia seguinte, assim evita que a relação se desgaste por falta de criatividade ou mesmo que vire uma rotina que obriga os dois a fazerem sexo apenas porque são casados.
Toquei no ponto chave propositalmente, três palavrinhas mágicas que podem destruir aos poucos uma relação conjugal promissora; Rotina, Obrigação e Falta de Criatividade. A rotina é algo estressante, não só na vida conjugal, mas em qualquer área da vida. Tudo é muito repetitivo, nada mais surpreende, tudo inicia e termina como sempre, sem surpresas. É insossa a vida rotineira de um casal. Dai é que a Criatividade torna-se importante. É preciso criar meios de vencer a rotina implantando novas situações não só em relação ao sexo, mas na vida de ambos. O que mais estressa é que algumas rotinas não podem ser mudadas como trabalho, afazeres domésticos e familiares, mas se não dá para mudar, vamos adaptá-los. Como o trabalho é imutável, necessário e faz parte da vida de ambos, pulemos esta parte e vamos ao restante; afazeres domésticos e familiares. Que tal dividir funções para ambos ao invés de sobrecarregar apenas um. Ora, se um dos dois não trabalha, isto não quer dizer que não tenha afazeres e que não precise de ajuda. Além do mais tem duas coisas boas nesta situação; se ajudar o outro acabam mais cedo, põem as crianças na cama e vão “brincar” à sós. Outra coisa é ficarem se curtindo enquanto fazem as tarefas do lar, tipo beijinhos, carícias, provocações. Só não esqueçam das crianças, elas podem ver vocês em um gesto mais ousado e não entenderem nada e é bom que não entendam mesmo.
Um casamento não é só para se usufruir dele, mas precisa ser administrado por ambos. É preciso que cada um puxe para si a responsabilidade de manter a relação acesa, observando pontos e corrigindo possíveis arestas. Nunca iremos corrigir coisa alguma se acharmos que a culpa é sempre do outro, não no casamento, nele a culpa é sempre de ambos. Um que pode ter cometido um erro em consequência da ação de outro. Apontar dedos não é algo bom em âmbito nenhum, mas no casamento é meio caminho andado pra dissolução. Não podemos ser soberbos e esquecer os nossos erros, nem devemos julgar como se nunca tivéssemos errado. É preciso muita cautela com a entrada do egoísmo nas relações. Muitas vezes ela entra e nem percebermos e de repente estamos querendo mais do que oferecemos. Para sermos amados precisamos ser admirados antes, mas é preciso ser admirável para isso. Quem irá admirar-se de alguém egoísta? Alguém que só pensa em si, no seu próprio bem estar? O que conquista o outro são as nossas qualidades, os defeitos o outro aprende a tolerar, desde que sejam toleráveis. Bom, o assunto é extenso, fico por aqui com a promessa de continuar, por isso peço que deixem seus comentários pelos quais eu agradeço imensamente. Beijo no coração.

Texto do Escritor Brasileiro Tony Casanova. Direitos Reservados ao autor. Proibida a cópia, colagem, reprodução de qualquer espécie ou divulgação em qualquer meio, do todo ou parte dele sem autorização expressa do autor sob pena de infração ás Leis Brasileiras de Proteção aos Direitos Autorais.
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