O escambo moderno. [Tony Casanova]


Muitos antes da invenção da moeda, todo trabalho executado era recompensado com mercadorias numa espécie de troca por este trabalho. Já na Roma antiga costumava-se trocar o trabalho e serviços prestados por Sal, dando ai origem a palavra “Salário”. Quando se deu a descoberta do Sal os Romanos perceberam suas utilidades como medicamento cicatrizante, conservante de alimentos e também tempero e por isso foi considerado sagrado. Os Portugueses em sua chegada ao Brasil praticaram o Escambo na intenção de agradar os indígenas e evitar hostilidade na recepção, prática que depois foi continuada para recompensar os serviços que eram feitos por eles. Eles trouxeram na bagagem todo tipo de quinquilharias como espelhos, bijuterias, utensílios domésticos, enfim. Já existia a moeda Portuguesa, mas a prática do escambo barateava os custos.

O escambo moderno

Atualmente todos os países possuem sua moeda oficial que é utilizada como remuneração pelos serviços e produtos ofertados, existe também o salário, que representa a quantia devida ao funcionário ou prestador de serviços pelo período trabalhado, mas como para tudo que se diz “Oficial” existe o “Paralelo” e o “Negro”, no Brasil uma prática tornou-se comum; o escambo moderno, onde o corpo passou a ser a mercadoria que é trocada por moeda oficial, bens e produtos. Não que esta seja uma prática originariamente brasileira, mesmo porque nos relatos Bíblicos consta o de Maria Madalena, uma prostituta da época e que provavelmente fazia comércio do próprio corpo para sua sobrevivência, mas nos nossos tempos a prática tem outras finalidades. Com o avanço da tecnologia e a facilidade de acesso à informação, aumento do número de instituições de ensino e um leque vasto de ofertas de cursos em Faculdades e Universidades, além dos Cursos Técnicos, o Brasil afunila no mercado de trabalho e o que temos é uma torneira sempre aberta despejando uma quantidade imensa de formandos que encontrarão um mercado inchado e sem lhes oferecer perspectiva de aproveitamento.
Seria então a falta de mercado que estaria conduzindo o escambo moderno? Não. Sabemos que este tipo de comércio é prática comum desde a época do acesso universitário quando muitos pagam os estudos com dinheiro proveniente deste “escambo”. Vale ressaltar aqui e deixar bem claro que esta não é uma prática de todos, apenas de alguns indivíduos. Digo isto para que não entendam que citei o escambo moderno como uma prática generalizada. Descartada a hipótese de que hoje muitos usem o corpo como mercadoria por incapacidade, vamos descartar também a ideia de que o façam por necessidade básica, afinal trata-se de indivíduos de boa linhagem, situação financeira familiar estável e instrução excelente. Infelizmente a era moderna está sendo assolada por uma verdadeira Tsunami de mudanças de costumes e hábitos e o escambo faz parte destas mudanças. Com a adesão de indivíduos cada vez mais jovens, este escambo apreça o corpo avaliando características de beleza, juventude e disposição.
Um mercado amplo e aberto e com prática cada vez mais frequente, onde não interessa só a moeda como troca, mas também visam o acesso a empregos, produtos e serviços sonhados e que só poderiam ser conquistados através de muito esforço e dedicação, além da comprovação de talento. Muitos destes indivíduos querem o sonho, mas sem o sacrifício e por isso usam o escambo como porta de entrada para conquistarem seus sonhos.

Texto do escritor brasileiro Tony Casanova . Direitos Autorais reservados ao autor. Proibida a cópia, colagem, reprodução de qualquer natureza ou divulgação em qualquer meio, do todo ou parte dele, sem autorização expressa do autor, sob pena de infração ás Leis Brasileiras e Internacionais de Proteção aos Direitos Autorais.

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