Bom senso - A melhor atitude. [Tony Casanova]


Uma das palavras que mais ouço meu pai pronunciar é “Bom senso”, coincidentemente também era uma palavra muito utilizada por dona Mira, minha mãe. Cresci ouvindo repetidas vezes esta palavra e sem tomar noção do significado, apenas ia ouvindo, sem atentar muito ao que ouvia. Ao rebuscar a palavra no dicionário encontrei: - Bom senso = Capacidade de pensamentos e escolhas sensatas, inteligentes e cautelosas, ou seja equilíbrio nas decisões e julgamentos em cada situação que se apresenta. Uma pessoa que pratica bom senso evita decisões erradas, consegue com justiça o entendimento das questões e torna inócua as razões de contendas. Não se discute a eficácia deste uso e eu logicamente, após tomar conhecimento da importância não só da palavra, mas do seu uso prático na vida, passei a adotá-la como meta.
Nem sempre é fácil manter o bom senso, mas todo esforço torna mais valiosa a conquista, por isso me imbui em praticar à exaustão esta sábia palavrinha. Deparei-me com situações difíceis, por vezes tão difíceis que a solução me parecia impossível, mas não há impossibilidades para quem tem objetivos, consegui à dura penas contornar várias situações iminentes de contendas graças ao bom senso. Porém, alguns sentimentos humanos tornam esta prática indigesta porque ela bate de frente com eles e muitas vezes o bom senso nos obriga a “engolir” muita coisa que não aceitamos de bom grado, mas certamente o resultado faz valer a pena qualquer renúncia. A formação dos sentimentos humano é muito complexa e inclui não somente inclinações para o bem, mas também para o mal e é exatamente neste caso que entra o poderoso bom senso para nos dar discernimento, nos trazer uma luz sobre a melhor decisão a ser tomada.
É engano imaginarmos alguém que nunca nos magoe, nos faça sofrer ou nos provoque dor. Para muitos estar diante de algo que não lhes faça bem é uma ótima razão para ser sensato, mas a verdade é que nem todos pensam da mesma forma. Em tempos muito distantes do Século XXI havia uma prática comum entre os humanos da época: Matou, morre. Bateu, apanha. Feriu, será ferido. Era a chamada Lei do Dente-por-dente e Olho-por-olho onde se cultivava a vingança como forma de ressarcir sofrimentos, mas quem imagina que esta prática é algo do passado, engana-se e muito. Em nosso século muitas pessoas vivem a guardar mágoas, ressentimentos e dores e as repassam tão logo seja possível, ainda que não seja a vítima o autor das feridas. Não importa para quem deseja vingança, qualquer um pode tornar-se vítima, seja culpado ou não.
Não é de se estranhar que feridas não cicatrizadas, dores não esquecidas e mágoas guardadas possam transformar-se em doença e levar os indivíduos contaminados a uma perseguição incessantes de novas vítimas para saciar a sede crescente de vingança. Nestes casos o bom senso seria ótimo bálsamo para curar estes males. Ele atua em qualquer caso e aplica-se a qualquer situação, seja ela de estresse, de rancores, mágoas ou decepções e até mesmo ódio. O bom senso nos leva a refletir sobre nós mesmos, sobre nossas decisões e suas consequências, seus reflexos sobre nós. A paz é fruto direto desta nobre atitude. Ser sensato é produzir reflexos de sabedoria, agir em função do conjunto e não apenas em benefício próprio. O egoísmo é uma porta cerrada para o bom senso e enquanto ele existir, jamais teremos sensatez. Viveremos como se tivéssemos uma venda nos olhos, envoltos em um mar de escuridão onde só enxergamos a nós mesmos e por mais que exista o outro, jamais iremos conseguir vê-lo.
Todos nós temos coisas boas e ruins e cabe-nos decidir o que iremos apresentar. Provar nossa capacidade de sermos maus não acrescentará novidade alguma, não surpreenderá ninguém e só servirá para deixar marcas negativas sobre nós. Inevitavelmente sempre deslizaremos e cometeremos algo desagradável, mas o bom senso nos guiará para corrigir os erros e nos colocar de volta no caminho correto.

Texto do Escritor brasileiro Tony Casanova – Direitos Autorais reservados ao autor. Proibida a cópia, colagem, reprodução de qualquer espécie ou divulgação em qualquer meio, do todo ou parte dele, sem autorização expressa do autor sob pena de infração ás Leis Brasileiras e Internacionais de Proteção aos Direitos de Propriedade Intelectual. O uso da presente obra sem respeito aos créditos devidos ao autor incorrem em Crime de Plágio.

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