A agradável vida no campo. [Luzia Couto]

Como é bom viver na fazenda, acordar cedinho com o cantar dos pássaros, as galinhas fazendo festa no quintal, o galo cantando na madrugada e os bois no curral, mugindo como se festejassem a chegada do dia. Tudo isto misturado ao aroma de um delicioso café, socado no pilão, torrado, moído e coado na hora, que saudades! A vida na fazenda começa logo cedo, quando todos acordam ao cantar do galo, como se costuma dizer e ao clarear o dia, muito já foi feito. As mulheres cuidam da casa e da comida, dos afazeres domésticos, da limpeza do terreiro, das criações menores e das crianças. A garotada se diverte. Na fazenda diversão de criança é diferente, brinca-se de correr, subir nas fruteiras, espantar os passarinhos que querem comer a comida das galinhas. Os cães também fazem festa e latem para os bois. Os cabritos brincando uns com os outros, berram alegremente. A ordenha do leite é feita pelos homens,que assim que terminam colocam os tambores na carroça, onde o cavalo já atrelado, espera a carga para o transporte.
As crianças se agitam e aos gritos pedem para “dar uma voltinha” na carroça que irá transportar o leite colhido até o resfriador. Na volta colhem frutos e legumes pelo caminho, onde existe uma lavoura próximo a estrada. Nem se incomodam por estarem todos empoeirados. Na chegada é pura alegria e correm para para o banho, pois o almoço já está na mesa. No cardápio, varias iguarias, desde a carne de cabrito até as verduras mais simples. Como criança é criança em qualquer lugar, também na fazenda elas não costumam gostar muito de verduras e legumes, mas são orientadas a comerem sempre com o argumento de crescerão mais fortes e inteligentes. Logo que termina o almoço tem a deliciosa sobremesa doce de abóbora com coco, pé-de-moleque ou ambrósia.
Após toda esta correria da manhã, as mulheres arrumam as crianças para estudar. Abastecem as mochilas com lanches e dão para as crianças várias recomendações: “Respeitem o professor”. Na fazenda o professor vem para alfabetizar os filhos de patrões e empregados em instalações reservadas para este fim. Sempre chega um pouquinho mais cedo para saborear o bolo de fubá e o café que já está na mesa aguardando por ele. Tão logo termine, sai apressado para iniciar a aula, pois a sala é distante da casa grande. A aula é muito animada com todos falando e contando o que aprenderam na aula anterior. Falam de aventuras que fizeram, quando escondidos, foram ao riacho, subindo e saltando das árvores, dos esconderijos, das brincadeiras ao anoitecer. Mal termina a aula saem as pressas, ansiosos para chegarem em casa, tirar aquela roupa apertada e sufocante. Aos gritos de “mãe,cheguei!, O que tem para comer?” Enquanto tudo acontece, a vovó no alpendre continua tecendo seu tricô enquanto se balança na cadeira.
Lavem as mãos e venham comer! Grita a mamãe. o cardápio do jantar é moqueca de peixes acompanhada de um delicioso angu baiano e um bom vinho para os homens relaxarem do trabalho árduo. O Suco era servido para as crianças e para as senhoras uma taça de vinho e ou um café bem fresco. O bate papo corre solto durante o jantar com muitas gargalhadas entre os adultos. A certa hora da noite as mulheres vão terminar seus afazeres e em seguida vão sentar-se no terreiro em volta de uma fogueira. Os empregados com suas famílias tocam e dançam, enquanto os filhos brincam de esconde-esconde. As meninas sentam perto de suas mães com suas bonecas vestidas com suas lindas e coloridas roupinhas. O piar das corujas encerra a agitação da noite e todos se recolhem para repousarem. Levam consigo a obrigação de acordar cedo e continuarem a lida diária com a mesma alegria de sempre.

Texto escrito por Luzia Couto. Direitos Autorais Reservados a autora. Proibida a cópia, colagem, reprodução de qualquer natureza ou divulgação em qualquer meio, do todo ou parte desta obra, sem autorização expressa da autora sob pena de violação das Leis Brasileiras e Internacionais de Proteção aos Direitos de Propriedade Intelectual. 

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