Crônica - Um programa de índio.


Duvido que voce nunca tenha vivido um programa de índio! Pois é, eu já tive vários, mas nenhum tão marcante quanto o que irei contar. O fato ocorreu numa linda tarde de verão e começou com o suspeito convite de uma amiga para umas "comprinhas" básicas no shopping. Gente, eu tenho ojeriza de shopping, arrepio até de pensar. Mas na base de muita insistência lá vou eu acompanhar minha amiga com a promessa de que seriam somente compras básicas e muito rápidas. Era uma cilada! Ao chegarmos no bendito shopping contemplei de cara a muvuca. Gente falando, gente sorrindo, gente entrando e saindo, caminhando. Gente, muita gente. Aquilo mais parecia um formigueiro. Falar em formigueiro minha amiga me lembrava uma tanajura, mas mudando de assunto, lá estava eu naquele farinheiro de gente. Um interminável vuco-vuco incontrolável! Neste momento resolvi perguntar a ela onde estávamos indo e me arrependi da pergunta: Descobri que a desgramada não sabia onde iria, ou seja, ela iria para todos os lugares. As horas se passavam e minha garganta secava com aquele ar condicionado miserável, mas o incrível é que a agonia me fazia suar. Eu suava muito, suava bicas e minha amiga continuava com aquele enorme sorriso, parecendo que seus dentes queriam morder suas orelhas. A felicidade dela era somente comparada a de um pinto nas fezes, enquanto isso eu sofria, agoniado como se estivesse vestindo uma cueca apertadíssima. Tantas horas se passaram que eu nem sei quantas, nesta altura do campeonato eu nem queria saber. Minha amiga entrava nas lojas e provava de tudo, desde calças e sapatos até lingeries e calcinhas.
Lá pelas tantas da noite, meus pés me matando, faminto, fulo da vida e muito cansado, veio o tiro de misericórdia: Ela me chamou para ir no maledeto supermercado! Naquela hora eu quase me ajoelhei ali mesmo e confessei todos os meus pecados. Quase tive certeza de que eu havia atirado uma pedra de 20 toneladas na cruz. Fomos enfim ao purgatório, depois praça de alimentação e somente quando o shopping fechou fomos embora. Eu nocauteado e ela reluzente. Eu morto e ela saciada. Confesso que nunca mais quero repetir aquela aventura traumática. O detalhe é que naquela noite eu dormi pesado, tão pesado, mas tão pesado que sonhei com o desgraçado do shopping. É a treva!!!
Texto de Tony Casanova - Direitos Autorais reservados ao autor.
Facebook - tony.casanova1

Twitter - prodacultural

Seguidores do Google