Erótico e pornográfico, o que é arte?



Erótico e pornográfico, o que é arte?


Em uma das minhas muitas conversas com amigos que admiram aquilo que faço, um deles perguntou-me se erotismo e a pornografia não seriam a mesma coisa. - Não! Respondi categoricamente. É um absurdo comparar o erotismo com a pornografia!
Ué, porque se tudo dá na mesma. É gente pelada, fazendo isso ou aquilo!
Negativo querido. O erotismo é delicado, é lúdico sem que haja vulgaridade. O que existe no erotismo é a sensualidade, a insinuação. O erotismo busca o despertar pelo oculto, provocar pelo imaginário. Ele é implícito, sem exageros ou bizarrices. Já a pornografia prima pela indecência da vulgaridade. A pornografia é a quebra de toda magia da sedução. É a imagem nua e crua, sem poesia, sem lirismo algum.
Mas não é isso que as pessoas querem?
Nem todas as pessoas desejam a pornografia, ela choca por ser muito crua. Não é bem o tipo de imagem que cativa, mas de alguma forma o pornográfico é aberto demais para manter as pessoas presas nele.
É mas existe muita gente que gosta.
Claro que sim. Todo tipo de linguagem é válida e abrange gostos variados. É questão de opção, de gosto e isto deve ser respeitado em cada um.
Então porque você diz que o pornográfico não presta?
Não meu querido, eu não disse isso. Respondi a tua pergunta sobre pornografia e erotismo serem a mesma coisa. Como escritor eu prefiro lidar com o erotismo, com a sexualidade lírica, sem imagens ou palavras chulas. Tudo isto funciona como uma fotografia onde um fotógrafo profissional revela nuances de uma paisagem que os olhares não foram capazes de captar, apesar de estarem lá. Em contrapartida um amador pode tirar uma foto do mesmo lugar e não transmitir a mesma sensação porque lhe falta lirismo na foto. Falta algo que induza a mente de quem observa a intuir sobre o que está refletido na imagem.

Na minha opinião, dentro daquilo que me proponho enquanto escritor, não cabe a pornografia. Ela seria ofensiva demais aos leitores. O efeito seria o mesmo que publicar fotos de corpos sangrando em uma rede social. Por mais que houvessem duas ou três pessoas que curtissem aquilo, a grande maioria ficaria chocada; Não seria agradável, além de ser muito constrangedor. No cinema por exemplo, usa-se muito a expressão “nu artístico” nas produções pornográficas. Dentro do conceito de Arte, cabe dizer que tal afirmação é quando nada inverídica, para não dizer absurda. Um quarto, luzes, algumas câmaras e duas ou mais pessoas praticando sexo enquanto são filmadas. Chamar isto de arte é o mesmo que desmerecer todas as obras líricas que reproduziram performances sexuais sem chegarem as beiras da depravação. Considero esta ação semelhante ao copiar, colar conteúdos e depois afirmar-se como o criador de uma arte. Note-se que quando Michellangelo produziu suas obras contendo nudez ele eternizou seu nome através da obra, mas não havia mérito para aqueles que posaram. É justo porque o mérito é do artista e sua ótica, sua capacidade de transferir para a pedra, tudo que estiver ao seu alcance. Se tivéssemos que chamar os modelos de artistas, teríamos que conferir o mesmo título ao céu, ás paisagens, enfim, a tudo que já foi retratado por um artista. Imaginemos então uma maçã artista.
Equivocadamente tratamos modelos como artistas, mas não só na escultura como também na fotografia, o artista é aquele que cria, que retrata a obra e não o objeto dela. Um artista é lírico dentro da própria concepção da arte. O baile do pincel na tela é suave, harmônico e quase que mágico. O olhar do fotógrafo é clínico, disseca o ambiente em busca de detalhes, de cores, contrastes, de formas que expressem o lírico. Assim acredito na Arte de fato. A arte que enaltece criador e criação sem desmerecer a beleza do que retrata.

Texto do Escritor Brasileiro Tony Casanova – Direitos Autorais Reservados ao autor. Proibida a cópia, colagem, reprodução de qualquer espécie ou divulgação em qualquer meio, do todo ou parte dele sem autorização expressa do autor sob pena de infração ás Leis Brasileiras de Proteção aos Direitos Autorais.
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