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Amantes numa ilha - Parte ll


Meus olhos buscaram seus lábios e em silêncio puxei-a para mim. As bocas encontraram-se e eu pude sentir a maciez e a umidade dos lábios de Maíra nos meus. Naquele momento ali, não havia mais nada além de nós dois. Sentia seu corpo quente colado ao meu enquanto suas mãos me puxavam levemente para ela. Já vivi muitos amores e a cada paixão que surge, sinto que ela traz consigo as mesmas emoções vividas no primeiro romance.Sinto-me resgatando a magia, o envolvimento e o encanto de tantos outros momentos tão inesquecíveis. Com Maíra eu vivi um sonho recheado de muitos outros. O brilho daqueles olhinhos, aquele rostinho formoso que parecia ter sido esculpido á mão me inebriava, me deixava entorpecido. Por vezes me pegava estático, calado, olhando para ela boquiaberto, feliz e ela sorridente me perguntava:
- Que foi?
- Voce é tão linda - Eu respondia.
- Bobo! - Dizia ela continuando a sorrir.
Maíra me rendeu muitas escritas e me aqueceu por dois anos. Dois anos de capítulos felizes, muitos sorrisos e alegria. Seus pais olhavam para nós dois como filhos e dividiam conosco a mágica que nos unia. A convite insistentes deles, eu vivia mais no apartamento onde moravam do que na minha própria casa. Lá ficávamos a conversar, rir e brincar muito. Foi em 1992 que o pai de Maíra recebeu da empresa em que trabalhava, a notícia da sua transferência para Curitiba e para lá se foi levando a minha Maíra e com ela todos os meus sonhos. Qualquer separação é dura, é difícil, mas ninguém consegue digerir uma separação sem que se tenha tido motivos para isso. Não sou dado a despedidas e aquela eu confesso que me desceu rasgando a garganta e cortando o coração. Eram quatro que choravam no saguão do Aeroporto Santa Maria em Aracajú. ainda estávamos abraçados quando ouvimos a chamada para embarque. Maíra me abraçou e beijou-me com aquele mesmo beijo que me dera quando nos conhecemos, soltou-me, olhou-me nos olhos e disse baixinho enquanto chorava:
- Eu te amo.
- Também te amo - Respondi engasgado pelo choro.
Ela dirigiu-se ao avião sem olhar para trás e ao chegar na escada de embarque desenhou um coração com as mãos e entrou. Eu podia ver o avião se afastando e sumindo nas nuvens, carregando com ele meu sonho mais lindo.

Texto de Tony Casanova - Direitos Autorais reservados ao autor.

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Romance - Amantes numa ilha


Dezembro dos anos 90. Ainda guardo o frescor das lembranças de uma juventude de sonhos. O cenário foi a Ilha de Santa Luzia, em Sergipe. Céu azul, ondas mansas e nuvens alvinhas que nem algodão. O mar calmo, limpo e tão silencioso que só permitia a quebra do silêncio através do diálogo das ondas que morriam na praia. Como de hábito fui a praia sozinho, gostava do ambiente e do clima da praia de Atalaia Nova. No local apenas dois quiosques serviam bebidas e petiscos como cerveja e caranguejos, peixes fritos e camarões. Escolhi o primeiro deles e após pedir uma cerveja, sentei-me para contemplar a paisagem e respirar o delicioso ar puro da região. Era um pequeno pedaço do paraíso. Naquele dia não havia grande movimentação ali e nos quiosques apenas eu e uma garota que lia um livro em uma mesa próxima a minha. A paisagem local era deslumbrante e a garota também. Confesso que fiquei intrigado para saber o título do livro que ela degustava com tanto gosto á minha frente. Aquilo simplesmente me fascinava: alguém jovem, bonita, num local paradisíaco lendo um livro como se ele fosse o caviar para ricos ou o bacalhau para os pobres. Diante da minha curiosidade passei então a fixar discretamente o olhar em direção a capa do livro na tentativa de ler o que estava escrito, mas é claro que não consegui e nem por isso deixei de continuar tentando. Num gesto rápido a garota resolveu olhar á volta e percebeu que eu olhava fixamente a capa do livro e então sorriu e eu correspondi imediatamente. Tomei coragem e apontei para o livro e abri os braços como se perguntasse o título e ela logo virou a capa para mim. Não consegui ler e fiz uma gesticulação mímica imitando um cego e ela rindo acenou para que eu fosse até lá. Eu nem queria! Fui rapidinho! Nos apresentamos e naquele momento percebi que se a paisagem era linda aquela garota era mais. Eu desculpei-me pela curiosidade em saber o título do livro que ela lia e expliquei-lhe que era fascinante encontrar alguém tão jovem e tão linda lendo um livro com tanta vontade naquele local.Ela sorriu e agradeceu-me dizendo-me que aquele era um hábito seu, gostava de ler em locais tranquilos e agradáveis. A partir dali mergulhamos num mar de afinidades e não sentimos o tempo passar enquanto mergulhávamos em conversas gostosas que sempre acabavam em risos e muita alegria.
Incrivelmente nos misturamos á paisagem, passamos a fazer parte dela e o livro, outrora tão solicitado agora descansava servindo de testemunha para nossos diálogos. De repente deu-me um surto e lhe fiz uma pergunta:
- Escuta Maíra, posso te apresentar alguém?
- Claro, quem é?
- Não se preocupe, ela é linda, voce vai gostar.
- Ela? - Notei uma pontinha de tristeza no rostinho dela então antes que a tristeza crescesse a tomei pela mão e levei-a até a margem da praia.
- Sim, ela. E só irei apresentá-la porque ela é tão linda quanto voce.
Ela desconfiada e ligeiramente magoada disse:
- E onde está ela?
- Aqui Maísa, ela é a natureza, sempre linda e harmoniosa. Quero te apresentar a natureza, tão linda quanto voce.
Ela apertou a minha mão e me olhou com tanta ternura que me deixou mudo e sem jeito. Nenhuma palavra foi trocada em segundo intermináveis, apenas olhares. Ergui a mão e toquei seu rosto com a delicadeza de quem toca um cristal frágil e enquanto meus dedos deslizaram em sua nuca nem foi preciso puxar seu rosto para mim ou mesmo abrir os olhos para saber que a praia estava completamente deserta...

...Continua

Texto de Tony Casanova - Direitos Autorais reservados ao autor.
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